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FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA - NOVO TESTAMENTO: SÃO MARCOS E SÃO MATEUS

A FIGURA DE MARIA EM S. MARCOS

         É o mais antigo e mais conciso Evangelho.  Sobre Maria duas passagens: Mc 3,31-35 (sua Mãe e seus irmãos procuravam Jesus) e Mc 6,1-3 (Jesus é Filho de Maria).

 

A FIGURA DE MARIA EM S. MATEUS

Mt 1,1-17: É proposta a genealogia de Jesus.  No v.16: “Jacó gerou José e José gerou Jesus”, afirma: “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus chamado Cristo”.  Ao afirmar que Maria gerou Jesus, quis o evangelista afirmar que ela o fez sem o concurso de varão, ou seja, virginalmente.

 

O estilo de Mateus, tem paralelo em S. Paulo, onde em Gl 4,4s: “Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, feito de mulher, feito sob a Lei...”.  Aqui se acentua a verdadeira humanidade de Jesus, nascido de mulher, mas não refere homem algum como pai carnal.  Maria teria recebido, no caso, do próprio Deus o Filho ao qual Ela deu a carne humana.  Estaria assim insinuada a dupla natividade de Jesus: a eterna, no seio do pai, como Deus; e a temporal, no seio da Virgem, como verdadeiro homem.

 

Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado Apóstolo, escolhido para anunciar o Evangelho de Deus, que fora prometido pelos Profetas nas Santas Escrituras, acerca do seu Filho nascido da posteridade de Davi segundo a carne...” (Rm 1,1-3).  O que nos importa neste momento, é verificar o contexto no qual é inserida a figura de Maria: Jesus é Filho de Deus e Filho de Davi; neste contexto se enquadra o mistério de Maria, a Mãe desse Jesus.

 

Mt 1,18-23: “...Maria, sua Mãe, estava prometida em casamento a José...ela grávida por obra do Espírito Santo.  O anjo do Senhor manifestou em sonho a José: ‘José, Filho de davi, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu o chamarás Jesus, pois Ele salvará o seu povo dos seus pecados’. Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor havia dito pelo Profeta: ‘Eis que a virgem conceberá e dará à luz um Filho. Ao qual darão o nome de Emanuel, o que se traduz: Deus conosco’ (Is 7,14)”.

 

Jesus, embora Filho de uma virgem, é Filho de José e Filho de Davi, pois José exercerá a paternidade jurídica ou legal em relação a Jesus, como tutor da Sagrada família.  O fato mesmo de José ser incitado a dar o nome ao Filho de Maria (Mt 1,21) indica bem que ele é considerado “pai segundo a lei” de Jesus.

 

Ainda, alguns comentários sobre Mt 1,18-23:

a)     O noivado, entre os judeus, equivalia a um contrato, com fidelidade recíproca dos noivos.  S. José fica perplexo, pois encontrou Maria grávida antes mesmo que coabitassem;

b)     José era um homem justo.  Em que sentido era justo? – porque queria observar a lei israelita que autorizava o divórcio em caso de adultério? – porque se mostrou indulgente, deixando Maria partir em vez de mandar apedrejá-la? (Cf. Lv 20,10; Dt 22,22-24) – porque não queria ser tido como pai de uma criança cujo autêntico pai ele desconhecia? – Se José acreditava na culpa de Maria, como podia esconder o crime por ela cometido, despedindo-a secretamente?

José reconheceu, por intuição de sua fé, o mistério de Maria.  Convicto da probidade e da virtude de Maria, recusou-se a aplicar-lhe as normas da Lei relativas ao adultério, quis que ela seguisse o seu caminho, sem que ele se envolvesse nos meandros do mistério.  O querer despedir Maria, era mais reverência e respeito a um desígnio de Deus, que sobrepujava seu entendimento.

c)    Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor havia dito pelo Profeta” (Mt 1,22).  Os acontecimentos da vida de Jesus previstos pelo Espírito Santo é que condicionavam a formulação das profecias outrora, e não vice-versa;

d)    Is 7,14: “Eis que uma jovem álmah está grávida e dá à luz um filho”; a palavra álmah significa apenas a jovem mulher, sem especificar se é casada ou não.  Os judeus, desde o século II aC (se não antes), entenderam que essa jovem seria virgem.  Sabe-se que a tradução dita “dos LXX” ou Alexandrina foi realizada pelos judeus residentes no Egito entre 250 e 100 aC para atenderem à necessidade de terem um texto grego das Escrituras (visto que falavam grego e não hebraico no Egito).

 

A FÉ DE MARIA

         Maria é o protótipo da vida cristã de fé.  Crer fortemente e esperar contra todas as aparências contrárias é o elemento verdadeiramente característico da psicologia religiosa de Maria.  Nazaré é a casa dos que crêem lutando. Dos que enfrentam corajosamente as dificuldades da vida em pleno abandono à Providência.  É a narração sóbria do Evangelho e não fantasia dos apócrifos que nos pinta a vida real de Maria. Ela nos dá o exemplo de uma fé mais forte que a vida humana, mais forte que a morte...mais forte que a própria morte de seu Messias.

 
fonte da notícia: ISCR - Inst. Sup. Ciencias Rel (anotações) inserido por: Caridade
 
 
 
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